{"id":60,"date":"2022-05-19T20:51:53","date_gmt":"2022-05-19T20:51:53","guid":{"rendered":"http:\/\/seesvig.org.br\/?p=60"},"modified":"2022-05-19T20:51:54","modified_gmt":"2022-05-19T20:51:54","slug":"a-importancia-do-trabalhador-e-da-trabalhadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/seesvig.org.br\/?p=60","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia do trabalhador e da trabalhadora"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, a caracter\u00edstica humana que mais nos distingue das outras esp\u00e9cies vivas no planeta \u00e9 a nossa capacidade de p\u00f4r sentido no trabalho que fazemos. Desde os prim\u00f3rdios da nossa esp\u00e9cie, o trabalho que imprimimos na nossa rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente se distingue do feito pelas abelhas, por exemplo, quando constroem as suas colmeias, porque ele \u00e9 carregado de sentido e finalidade. S\u00f3 dessa forma foi poss\u00edvel construirmos a no\u00e7\u00e3o de classe trabalhadora, aquela parcela da sociedade que, mesmo n\u00e3o sendo a detentora dos meios de produ\u00e7\u00e3o, faz e produz as riquezas das sociedades.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim \u00e9 desde os tempos mais antigos: a for\u00e7a e o suor de enormes contingentes humanos produziram nossas maiores riquezas ao longo da hist\u00f3ria humana. Com o advento do capitalismo, o sistema econ\u00f4mico que tem como primazia a acumula\u00e7\u00e3o da riqueza e a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, foi poss\u00edvel criar uma identidade para essa grande maioria das sociedades que, mesmo produzindo as riquezas, continuavam empobrecidas ao passo que, uma minoria ficava cada vez mais rica. Nesse contexto que surgem as primeiras lutas sociais e o esfor\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desse contingente de seres humanos que eram explorados, n\u00e3o raro, at\u00e9 a morte para produzir mais e mais riquezas para as m\u00e3os de poucos.<\/p>\n\n\n\n<p>O surgimento da ideia de classe social, como modelo de organiza\u00e7\u00e3o das sociedades humanas, veio com Marx, pensador alem\u00e3o do s\u00e9culo XIX. Autor do Manifesto Comunista, Marx percebeu que cabia somente aos trabalhadores e trabalhadoras a capacidade de transformar o mundo em um lugar mais justo. A realidade da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial na Europa, contexto em que ele escreveu essa obra prima do pensamento social, era de uma crueldade sem tamanha: homens, mulheres e crian\u00e7as que trabalhavam sob uma jornada de trabalho extenuante de 16 a 18 horas di\u00e1rias, recebendo parcos sal\u00e1rios que n\u00e3o davam conta sequer de sua sobreviv\u00eancia material. Somente a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dessa classe poderia superar esse est\u00e1gio da humanidade para um outro momento da hist\u00f3ria que fosse mais igualit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Vinicius de Moraes, nosso poetinha brasileiro, fez em 1959 um lindo poema chamado \u201cOper\u00e1rio em constru\u00e7\u00e3o\u201d. Nesse poema, ele retrata o ganho de consci\u00eancia do oper\u00e1rio, que come\u00e7ou a perceber que constru\u00eda casas lindas, mas que nelas n\u00e3o conseguia morar. Em uma de suas estrofes, ele dizia:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas ele desconhecia esse fato extraordin\u00e1rio: Que o oper\u00e1rio faz a coisa e a coisa faz o oper\u00e1rio. De forma que, certo dia, \u00e0 mesa, ao cortar o p\u00e3o o oper\u00e1rio foi tomado de uma s\u00fabita emo\u00e7\u00e3o. Ao constatar assombrado que tudo naquela mesa \u2013 Garrafa, prato, fac\u00e3o \u2013 era ele quem os fazia. Ele, um humilde oper\u00e1rio, um oper\u00e1rio em constru\u00e7\u00e3o. Olhou em torno: gamela, banco, enxerga, caldeir\u00e3o vidro, parede, janela, casa, cidade, na\u00e7\u00e3o! Tudo, tudo o que existia era ele quem o fazia. Ele, um humilde oper\u00e1rio, um oper\u00e1rio que sabia exercer a profiss\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo mudou quando a nossa classe social se percebeu como tal e, dessa forma, detentora de direitos e dignidade, passamos a lutar e a nos organizar. Podemos vislumbrar um mundo novo que ser\u00e1 constru\u00eddo a partir do entulho que sobrar\u00e1 deste atual, que \u00e9 marcado por tanta desigualdade. No Brasil, temos a experi\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o e luta da classe trabalhadora ao longo do s\u00e9culo XX. As mobiliza\u00e7\u00f5es pelo fim da ditadura militar (1964-1985) nos deram o maior l\u00edder popular da hist\u00f3ria brasileira que, quando chegou ao poder, anos mais tarde, fez o melhor governo para a classe trabalhadora que esse pa\u00eds j\u00e1 teve.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que o caminho de supera\u00e7\u00e3o desse atual momento que estamos atravessando passar\u00e1, mais uma vez, por ele. Nesse m\u00eas, em que rememoramos as lutas da classe trabalhadora pelo mundo afora, temos que reafirmar a import\u00e2ncia da classe trabalhadora em qualquer projeto que almeje uma m\u00ednima sequer mudan\u00e7a na sociedade brasileira. Sem as trabalhadoras e trabalhadores do Brasil, n\u00e3o poderemos sonhar com um mundo novo, de mais justi\u00e7a e igualdade social. N\u00e3o faremos um Brasil mais feliz sem colocar na equa\u00e7\u00e3o os interesses dessa grande maioria.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que a no\u00e7\u00e3o de classe tem sido muito atacada nos \u00faltimos tempos, em especial porque a pr\u00f3pria configura\u00e7\u00e3o de classe foi se alterando junto com as mudan\u00e7as sociais que temos vivido. Mesmo assim, e apesar desse esfor\u00e7o deliberado do sistema em nos dividir enquanto classe, nosso papel \u00e9 lembrar a todas e todos, em qualquer momento, que, se n\u00e3o podemos prescindir do trabalho e labuta di\u00e1ria para sobreviver, somos e continuaremos a ser classe trabalhadora. Sendo trabalhadores\/as precarizados\/as, de plataformas, tempor\u00e1rios\/as, terceirizados\/as ou fazendo bicos, somos ainda classe trabalhadora! Isso ningu\u00e9m nos tirar\u00e1 nunca! Viva a classe trabalhadora! Organizada e na luta, sempre!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, a caracter\u00edstica humana que mais nos distingue das outras esp\u00e9cies vivas no planeta \u00e9 a nossa capacidade de p\u00f4r sentido no trabalho que fazemos. 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